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Praia Grande

Defesa de Danilo Morgado rebate indiciamento e nega vínculo com facção criminosa

Ex-candidato do PL em Praia Grande foi indiciado na Operação Vectura Corrupta; advogados dizem que relatório policial não comprova ligação com o PCC.

STJ nega habeas corpus de Danilo Morgado, preso suspeito de vínculo com PCCFoto: Redes sociais/Divulgação.
Raphael Nogueira Felix
8 de novembro de 202615:56
Atualizado agora há pouco às 19:13

A defesa do ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e a deputado estadual pelo PL, Danilo Morgado, divulgou nota neste domingo (8/11) na qual rejeita as conclusões do relatório final da Operação Vectura Corrupta, que o indiciou e pediu sua prisão preventiva. Segundo os advogados, não há elementos objetivos que sustentem a acusação de vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O indiciamento foi formalizado pelo delegado Fabricio Intelizano, que também solicitou à Justiça a prisão preventiva de Morgado. No documento, o delegado afirma que o ex-candidato seria «beneficiário direto de valores decorrentes da OrCrim [organização criminosa], possuindo alto poder econômico, o que põe em risco a sua permanência no distrito da culpa».

A defesa afirma que o relatório policial carece de provas sobre o recebimento de valores ou a integração de Morgado à facção. Os advogados sustentam que, após mais de cinquenta dias de investigação desde a deflagração da operação, a própria autoridade policial concluiu que nenhum elemento novo surgiu contra o ex-candidato e que sequer dispunha do resultado da extração dos aparelhos apreendidos em sua residência.

«A conclusão policial, contudo, não encontra correspondência objetiva nos próprios elementos descritos no documento», diz trecho da nota. A defesa acrescenta que recebeu «com serenidade» o indiciamento formalizado no relatório final.

De acordo com o relatório, a polícia encontrou diálogos que «descrevem uma relação muito mais próxima entre Danilo e Marlon Rosa [apontado como liderança do PCC] do que a admitida no depoimento». O documento menciona conversas sobre financiamento eleitoral, apoio de comunidades controladas pela facção, reuniões políticas e articulação de apoios.

O texto policial também cita tratativas para obtenção de recursos decorrentes da cobrança de dívida milionária de Admarcio Martins de Moraes, com possível utilização desses valores para financiamento político. Segundo a investigação, o vínculo com Marlon Rosa remontaria ao menos às eleições de 2020.

O delegado Fabricio Intelizano justificou o pedido de prisão preventiva afirmando que Morgado é «pessoa extremamente difícil de encontrar», e que, nas ocasiões em que foram deferidas buscas contra ele, não foi localizado em nenhum dos endereços. A captura só teria sido possível, segundo o relatório, devido ao caráter itinerante do mandado de busca e ao trabalho de inteligência policial no dia do cumprimento.

A Operação Vectura Corrupta também resultou na prisão do ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União). O caso envolve apuração sobre supostos vínculos entre agentes políticos e a organização criminosa, e o indiciamento de Morgado é mais um desdobramento da investigação.

Procurada, a defesa de Danilo Morgado reiterou que não há provas de sua participação em atividades ilícitas e que o indiciamento se baseia em ilações. O ex-candidato nega qualquer relação com o PCC e afirma que as acusações não correspondem à realidade dos fatos apurados.

A reportagem não localizou manifestação da Polícia Civil sobre as críticas da defesa até a publicação desta matéria. O pedido de prisão preventiva e o indiciamento ainda serão analisados pela Justiça.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/elo-com-o-pcc-defesa-de-ex-candidato-do-pl-nega-relacao-com-faccao

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