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São Paulo

Cantareira tem recuperação recorde na primavera com chuvas acima da média histórica

Sistema Cantareira acumula mais de 125 bilhões de litros desde o início da primavera e supera média de armazenamento do verão passado, impulsionado por chuvas constantes e vazão 55% acima do esperado para novembro.

Imagem mostra Estação de Tratamento de Água do Guaraú, parte do Sistema CantareiraFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
8 de novembro de 202615:08
Atualizado agora há pouco às 18:17

O Sistema Cantareira, principal fornecedor de água da região metropolitana de São Paulo, vive uma recuperação acelerada neste início de primavera. Desde o começo da estação, o reservatório acumulou mais de 125 bilhões de litros, volume equivalente ao consumo de quase dois meses (54 dias) ou ao abastecimento de toda a Grande São Paulo por 20 dias.

A média diária de armazenamento subiu para 2,66 bilhões de litros, superando os 2,48 bilhões registrados no verão passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira. O ritmo mais intenso é atribuído às chuvas frequentes que atingem a região dos mananciais, embora também causem transtornos nas cidades.

Em novembro, a vazão natural – volume de água que chega ao sistema – está 55% acima da média histórica para o mês. O Cantareira tem recebido 55.143 litros por segundo, contra os 33.100 esperados. Esse excedente hídrico tem permitido que o sistema recupere parte do déficit acumulado nos últimos meses de seca.

O solo úmido, resultado das chuvas constantes de setembro e outubro, favorece o escoamento superficial e a recarga dos lençóis freáticos. Durante estiagens prolongadas, o solo ressecado funciona como uma esponja seca: precisa absorver grande quantidade de água antes de liberar o excesso para as represas. Chuvas isoladas, mesmo intensas, não produzem o mesmo efeito que precipitações regulares.

Apesar da melhora, o Cantareira opera atualmente com 53,4% de sua capacidade útil, o menor percentual entre os sistemas produtores da Grande São Paulo. O sistema integrado metropolitano, que reúne outros reservatórios, está com 62,6%. A recuperação é considerada importante para enfrentar os períodos mais secos do ano, quando a entrada de água cai consideravelmente.

Especialistas lembram que a primavera costuma ser uma estação de transição, com chuvas irregulares, e que a manutenção desse padrão até o verão será determinante para a segurança hídrica da região. A expectativa é de que o volume continue a subir se as precipitações permanecerem acima da média.

O Cantareira passou por uma seca severa nos últimos meses, com níveis abaixo do esperado, e a atual recuperação representa um alívio para o abastecimento público. No entanto, as autoridades monitoram a situação e reforçam a importância do uso consciente da água, mesmo em períodos de chuva.

A comparação com o verão passado mostra que a primavera atual tem sido mais generosa em termos de acumulação hídrica. Enquanto o verão de 2025 registrou média diária de 2,48 bilhões de litros, a primavera de 2026 já alcança 2,66 bilhões, um desempenho 7% superior.

As chuvas que provocam alagamentos e transtornos nas cidades paulistas são as mesmas que garantem a recarga do sistema Cantareira, evidenciando a complexidade da gestão de recursos hídricos em áreas urbanas. O desafio é conciliar a segurança da população com o armazenamento de água para os períodos de estiagem.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/primavera-dos-sonhos-faz-cantareira-encher-mais-rapido-que-verao-passado

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