O metalúrgico Luiz Rodrigues de Santana Júnior, de 39 anos, morreu na tarde da última quinta-feira (5) após ser baleado durante uma abordagem de policiais militares na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apura as circunstâncias da ação.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais foram acionados por uma denúncia anônima por volta das 11h30, que indicava a presença de um homem suspeito de envolvimento na morte de um cabeleireiro dias antes. A abordagem ocorreu na Rua Ilha dos Remédios, por volta das 12h30, quando Santana Júnior estava em um veículo Kia Sportage branco estacionado.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os policiais se aproximam do carro e efetuam os disparos. De acordo com o relato oficial, houve troca de tiros. Familiares, no entanto, contestam essa versão e afirmam que o metalúrgico foi executado sem chance de defesa.
Conforme o boletim de ocorrência, Santana Júnior foi socorrido ainda com vida e levado ao Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu. O óbito foi confirmado às 13h08. Exame preliminar apontou ferimentos na cabeça, no rosto, no pescoço e no tronco.
Os policiais envolvidos — um sargento, um cabo e dois soldados do 4º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) — alegaram que não utilizavam câmeras corporais no momento da ação devido a problemas técnicos. «Os policiais militares envolvidos encontravam-se regularmente escalados para o serviço, contudo não utilizavam os equipamentos em razão de problemas técnicos», diz trecho do documento.
A versão oficial sustenta que um revólver Taurus calibre 38, com numeração raspada, foi apreendido no local e seria de propriedade do metalúrgico. Familiares, porém, afirmam que a arma foi colocada no veículo após a morte dele. A perícia encontrou sete estojos de munição calibre 5,56 (usada em fuzis) e três de pistola .40.
Um primo de Santana Júnior, conhecido como Ninho, lamentou a perda: «Era uma pessoa do bem, não devia mais nada. Estava trabalhando certinho, não tinha maldade com ninguém». O sepultamento ocorreu neste sábado (7), em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.
Os parentes também negam qualquer envolvimento do metalúrgico com o crime mencionado na denúncia anônima. Eles cobram apuração rigorosa e afirmam que as imagens das câmeras de segurança podem esclarecer a dinâmica dos fatos.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e que a Corregedoria da PM acompanha as investigações. O DHPP solicitará perícia no veículo e nos equipamentos dos policiais, além de ouvir testemunhas.
A ausência de câmeras corporais nos uniformes dos agentes é um dos pontos centrais da investigação, já que as imagens poderiam confirmar ou refutar as versões apresentadas. O caso reacende a discussão sobre o uso obrigatório do equipamento em operações policiais no estado.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/metalurgico-de-39-anos-e-morto-durante-abordagem-da-pm-na-zona-leste-de-sp

