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São Paulo

Equipe da USP projeta carros de corrida e forma alunos para o setor automobilístico

Poli Racing, da Escola Politécnica da USP, constrói protótipos para a Fórmula SAE desde 2008 e envolve estudantes em todas as etapas do projeto, da captação de recursos aos testes em pista.

Imagem colorida de um carro de corrida projetado por estudantes de uma equipe de engenharia da USPFoto: Arquivo Pessoal/Poli Racing
Raphael Nogueira Felix
8 de novembro de 202602:00
Atualizado agora há pouco às 11:56

Enquanto o Autódromo de Interlagos recebe o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 neste domingo (8/11), um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantém uma rotina de trabalho que espelha, em escala universitária, a engrenagem das equipes profissionais do automobilismo. São os integrantes da Poli Racing, time vinculado à Escola Politécnica que, desde 2008, projeta e constrói carros de corrida para a Fórmula SAE, competição destinada a universitários.

A equipe reúne graduandos de diferentes áreas, cada um responsável por um subsistema do veículo — motor, freios, suspensão, aerodinâmica e até o design da equipe. O processo começa com a análise do regulamento da competição e passa pela elaboração do projeto, definição de custos, captação de patrocínios e, por fim, a construção e os testes do protótipo.

O capitão atual é Renan Fernandes, do sexto semestre de engenharia mecânica. Apaixonado por carros desde a infância, ele também pilota o carro da equipe e almeja seguir carreira como engenheiro automobilístico. «A Fórmula é o café com leite do motorsport, porque aqui dentro você pode errar sem que seja demitido, sem sofrer consequências, e isso é normal. A ideia é que a equipe agregue conhecimento. Todos estão aqui para aprender», afirma.

A entrada de novos membros ocorre por meio de um processo seletivo conduzido pelos veteranos, que também oferecem aulas e acompanham a adaptação dos calouros. A supervisão acadêmica fica a cargo do professor Marcelo Augusto Leal Alves, do departamento de engenharia mecânica, mas são os próprios alunos que se organizam para resolver os problemas do dia a dia.

«Todo mundo vai para o automobilismo? Não. Mas os que vão, vão com uma bagagem de conhecimento, de experiência. E uma das coisas interessantes é saber lidar com a frustração, acho que o automobilismo é feito muito de você saber lidar com os problemas e buscar a solução rapidamente», avalia o docente.

A Fórmula SAE ocorre anualmente em agosto. Durante um fim de semana, equipes de diversas universidades brasileiras submetem seus carros a uma bateria de testes avaliada por especialistas, que definem a campeã. A rotina dos estudantes combina as aulas da graduação com o trabalho na oficina ao longo de todo o ano.

O orçamento para montar o protótipo gira em torno de R$ 400 mil, valor que cobre materiais — muitos importados — e despesas operacionais. A quantia é obtida junto a patrocinadores, em um esforço que mistura conhecimento técnico e gestão de recursos.

Para os participantes, ver o carro que ajudaram a planejar sair do papel e competir em âmbito nacional é motivo de orgulho. A experiência prática complementa a formação em engenharia e desenvolve habilidades como trabalho em equipe, planejamento e resolução de problemas sob pressão.

A iniciativa também aproxima os estudantes do universo da Fórmula 1, ainda que a distância até as pistas profissionais seja grande. A vivência na Fórmula SAE funciona como uma espécie de laboratório para quem pretende atuar no setor automotivo ou em áreas que exigem raciocínio técnico e capacidade de adaptação.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/poli-racing-equipe-da-usp-prepara-futuros-engenheiros-para-as-pistas-da-f1

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