O desabamento de um edifício de quatro andares no bairro do Brás, região central de São Paulo, na noite desta sexta-feira (6), trouxe à tona uma constatação preocupante: o imóvel não possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) em vigor. A informação foi confirmada pela própria corporação, que, no entanto, não quis comentar as causas do colapso.
O AVCB é o documento oficial que atesta que uma edificação cumpre as exigências legais de segurança contra incêndio e pânico. Sem ele, o prédio não tem certificação de que dispõe de saídas de emergência adequadas, sinalização, extintores e demais equipamentos obrigatórios.
No momento da queda, 35 homens trabalhavam na estrutura. De acordo com o Corpo de Bombeiros, oito conseguiram escapar ilesos e 27 foram atingidos pelos escombros, mas sem ferimentos graves. Quatro desses trabalhadores foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca e permaneciam em estado estável até a noite.
Equipes de resgate com cães treinados foram mobilizadas para vasculhar os destroços em busca de possíveis vítimas soterradas. Até o fim da noite, não havia registro de desaparecidos entre as 35 pessoas que estavam no local.
Trabalhadores e testemunhas que presenciaram o desabamento relataram um possível excesso de peso nos andares superiores do prédio, o que pode ter contribuído para o colapso. A hipótese, porém, não foi confirmada pelas autoridades, que evitam apontar causas antes da conclusão das investigações.
Imagens de uma câmera de segurança do sistema Smart Sampa flagraram o instante exato da queda do edifício, no começo da noite. O registro mostra a estrutura cedendo e uma nuvem de poeira tomando a via.
O caso levanta questionamentos sobre a fiscalização de imóveis antigos na região central paulistana, área marcada por edificações de uso misto e ocupações irregulares. A ausência do AVCB é um indicativo de que o prédio operava sem a devida certificação de segurança.
Procurada, a prefeitura de São Paulo não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O Corpo de Bombeiros informou apenas que o documento estava vencido, sem detalhar quando a vistoria havia sido realizada pela última vez.
As vítimas atendidas na UPA da Mooca passaram por avaliação médica e não corriam risco de morte, segundo a corporação. O local permanecia isolado para o trabalho de limpeza e perícia.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/predio-que-desabou-no-bras-nao-tinha-documento-de-vistoria-dos-bombeiros

